Depois todos artigos e de todos os comentários feitos em volta da 4º temporada de Perdidos, o produtor executivo esteve à conversa com Maureen Ryan um colunista do Site “The Wacther”.
O produtor neste conversa explica todos os assuntos que ficaram por esclarecer entre eles estão , a resposta às críticas feitas sobre as falhas do percurso da história, adiantou ainda que a partir daqui a série só terá flashbacks que estejam directamente relacionados com a ilha.
Aqui fica a entrevista :
- O que faz quando está na sala dos argumentistas e há várias opiniões diferentes sobre o que fazer com os personagens e com o texto?
É necessário pensar o que é interessante. Às vezes a ideia que se tem por lá é bem executada, como a dos Flash-Forward no fim da terceira temporada. E outras vezes vezes existem ideias que são interessantes, mas na execução saem horríveis.
Um exemplo, foi o funeral de Coleen, em que Ben, Jack, Juliet, e os demais outros usaram túnicas brancas numa espécie de ritual. Foi uma das coisas mais horríveis que já fiz na vida.
Sinto que, às vezes, os fãs não julgam a ideia, mas sim a sua realização. Não se pode deixar os fãs tomarem o controlo da história. É necessário correr riscos, se não continuar a fazê-lo os fãs dirão “A história está lenta, e nada interessante está a acontecer”.
-Há uma batalha constante entre o desenvolvimento das personagens e o andamento da história, ou vocês conseguiram encontrar um equilíbrio?
Agora o ritmo dos episódios mudou completamente. Não é uma série diferente, mas todas as referências da história mudaram. Quando se fala em Flash Forwards, a referência muda totalmente, pois estamos a mostrar ao público o ponto “A”, que é o que acontece na ilha, e o ponto “Z”, que são acontecimentos das personagens depois de terem saído dela. Mas os espectadores não sabem o que aconteceu entre os dois pontos.
Por isso quando se vê os Flash-Forwards, há um componente emocional semelhante aos dos flashbacks, mas também há uma ligação diferente e maior em relação à história, pois os espectadores perguntam “como eles chegaram até ali”. Cada frase é uma pista para o trajecto de “B” e “Y”.
- Daqui para a frente nós veremos uma transição gradual para um maior número de flash-forwards em “Perdidos”?
Não quero revelar isso. Sinto que, com as novas regras adoptadas na série, tentar perceber isso faz parte da diversão da nova temporada. E tudo que eu devo dizer, entretanto nós não vamos mostrar mais Flashbacks, que não sejam relevantes à história principal da ilha. Por exemplo, Juliet é uma personagem que ainda tem histórias do seu passado ainda não contadas.
Repetindo, nós não eliminamos os flashbacks, só faremos quando eles aparecerem quando forem relevantes à história principal.
-Vamos falar um pouco da sensação de posse que os fãs têm sobre as suas séries favoritas. Desde o começo os produtores se expuseram, interagindo com os fãs e estipulando um limite para atender aos desejos deles. Mas de vez em quando não ficam sentidos quando o público que faz críticas negativas?
Sim, mas acabamos por nos acostumar, sobretudo quando consideramos a outra alternativa, que é a de ninguém ligar para o nosso programa… E quando mais longa é a série, mais exigentes os fãs vão ser. É natural, por isso a resposta do público faz com que a série fique melhor.
O facto de podermos ser crucificados se fizermos um péssimo trabalho motiva-nos e fazer ainda melhor. Não é sempre a crítica mais construtiva mas às vezes é bom ouvi-la.
Sabemos que o episódio em que Jack usa uma pipa na Tailândia (”Stranger in a Strange Land, nono episódio da terceira temporada) não foi muito bom; e se em vez de “Isso é terrível e vou parar de ver a série” os fãs tivessem dito que o episódio “Não foi tão mau”, provavelmente não ficaríamos tão preguiçosos.
Aquele foi o flashback errado, considerando que, na ilha, Jack estava preso? Jack ainda era para estar preso no nono episódio? Escolhemos mal a tailandesa que namorou Jack (Bai Ling)? Provavelmente e o mesmo aconteceu com a actriz que viveu a xerife dos Outros. Todas, repito, foram boas ideias que “despenharam” na hora de serem executadas.
- Há momentos em que as pessoas ficam loucas por um personagem ou uma história faz sucesso com os fãs e vocês pensam: “Sim, vamos explorar mais esta parte”?
Sim, claro. Mas já sabemos o que funciona e o que não funciona. Não consigo pensar em nenhum exemplo em que pensamos estar a fazer algo fantástico e os fãs odiaram, ou pensamos que estragamos algo, mas os fãs acabaram por gostar. Nós somos os nossos críticos mais severos.
- Qual a sua opinião sobre os spoilers sobre a série?
É complicado. Proteger os segredos de “Perdidos” tem sido… Bem, não podemos governá-los. O problema é que aqueles que os divulgam não têm a dimensão exacta do que significam, pois muitas vezes não leram os textos na íntegra nem viram os episódios, e às vezes soltam informações importantíssimas sem se darem conta disso.
- E sobre a sensação de “estarem a ser enganados” que parte da crítica e do público já chegaram a manifestar a respeito de “Perdidos”?
Nós somos como treinadores, e a nossa equipa é “Perdidos”. Quando o técnico de um equipa perde um jogo, ele não diz que tinha uma péssima táctica. Ele diz que algo correu errado, e que as coisas não saíram como foram preparadas. Eu nunca fiz um episódio mau de propósito, mas há episódios maus. Mas a realidade é ter uma base de fãs a discutir isso, sendo o mais importantes para nós.
Sobre os críticos, penso que os melhores são os que escrevem bem. Quando um crítico escreve muito bem, é fácil para os produtores e argumentistas encontrarem o que poderiam ter feito melhor. Sinto que os piores críticos são os que dizem, “Vê, o que eu faria”, ou “Aqui está o que eles deveriam ter feito”.
Os problemas falam por eles mesmos. É duplamente frustrante para mim ler uma análise do tipo, “Dah, eu sabia que Nikki e Paulo eram um erro”. Mas esse é o vosso trabalho. Vocês não são os “cheerleaders”, mas sim os críticos.



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